Edição Nº 10 - Agosto de 2003
Microtecnologias para a Agricultura Urbana

Editorial: Microtecnologias para a agricultura urbana (PDF)
Este número da Revista de Agricultura Urbana é dedicado às microtecnologias voltadas para a agricultura urbana. Ele apresenta uma grande variedade de técnicas e discute por que e como essas tecnologias foram desenvolvidas, os fatores críticos para o seu sucesso, e quais melhoramentos nas políticas públicas são necessários para o seu aperfeiçoamento e difusão.


O sistema de microirrigação 'tambor e gota', testado na África do Sul(PDF)
A avaliação do sistema de pequena escala baseado na microirrigação para uso em hortas domésticas revelou suas forças e fraquezas. A tecnologia permitiu a produção de aproximadamente 80 kg de hortaliças frescas em uma área de 36m2, no período de dois meses, mas não funcionou bem com água mais salinizada.


Métodos e práticas de irrigação urbana em Gana e no Togo (PDF)
Os métodos e práticas para irrigação de cultivos urbanos e periurbanos em Acra e Kumasi, em Gana, e em Lomé, no Togo, são bastante diferentes. A situação em Lomé parece ser muito mais avançada tecnicamente do que em Acra, embora as cidades estejam separadas por apenas três horas de viagem de carro. Essas diferenças são causadas por uma série de fatores bio-físicos e socioeconômicos.


Hidroponia na América Latina (PDF)
Desde meados da década de 80 do século passado, o PNUD – logo seguido pela FAO – começou a promover o desenvolvimento e o uso da hidroponia doméstica. Essa técnica agrícola predominantemente urbana é uma alternativa rápida e eficiente para muitas famílias pobres combaterem a falta de comida e de renda. Na hidroponia doméstica, o objetivo não é aumentar a colheita por hectare, mas produzir pequenas quantidades de comida em um número muito grande de casas, em espaços que seriam inviáveis para os métodos da agricultura convencional.


Tecnologia hidropônica em Lima, Peru (PDF)
A hidroponia é uma tecnologia caracterizada pela ausência de solo, permitindo o cultivo de safras de melhor qualidade em pequenos espaços urbanos, exigindo menos tempo, menos trabalho, e menos insumos. Em Lima, Peru, a ONG "Imagen Educativa" começou a trabalhar em 1993 para promover a agricultura urbana como uma estratégia para melhorar a nutrição, a renda familiar, e a qualidade ambiental. Ela inclui a produção de hortaliças e de plantas medicinais, aromáticas e ornamentais nas áreas periféricas de Lima, onde é difícil cultivar o solo por causa de sua aridez e da falta de água para irrigá-lo.


Organoponia, uma opção produtiva (PDF)
As técnicas produtivas urbanas são válidas enquanto forem adequadamente adaptadas ao ambiente físico urbano e enquanto produzirem os resultados esperados. Muitas iniciativas buscam desenvolver soluções produtivas para locais onde a terra não é fértil, ou onde as restrições de espaço tornam necessário explorar os recursos ao máximo. Entre as soluções técnicas mais inovadoras e produtivas desenvolvidas em Havana encontra-se a 'organoponia'.


Melhorando as técnicas de produção de hortaliças no sudeste asiático(PDF)
Para aumentar a produção agrícola na estação quente e úmida, e reduzir o uso de pesticidas nos cultivos hortícolas com fins comerciais, foram propostas três técnicas para promover essa atividade nas cidades do sudeste asiático: cultivos cobertos; enxertias em tomates; e o uso de telas à prova de insetos. O aumento da produção tem variado de um local para outro. A enxertia de tomates pareceu ser a técnica mais eficiente e atraente após o primeiro ano de experimentações, com muitos resultados positivos verificados em Vientiane. O aumento da produção que depende de novos equipamentos (telas de nylon e coberturas de polietileno) conflita com as preocupações práticas - típicas dos agricultores - com relação aos custos desses investimentos e ao acesso aos equipamentos necessários.


Práticas culturais básicas para a produção urbana de hortaliças nas Filipinas (PDF)
A importância da produção urbana de hortaliças para melhorar a segurança alimentar nas cidades dos países em desenvolvimento tem sido reconhecida por um número crescente de pessoas e instituições com interesse nessa área. Entretanto, o conhecimento das tecnologias de produção adequadas para os ambientes urbanos muitas vezes é insuficiente. Esse texto fornece uma visão geral abrangente sobre as práticas culturais básicas de manejo para a produção de hortaliças nas cidades filipinas. Os aspectos abordados são: seleção dos cultivos; métodos de plantio; manejo do solo, da água e de plantas invasoras; e controle de pestes e doenças.


Horticultura em terraços no Senegal (PDF)
A rápida urbanização do Senegal está provocando uma explosão no Mercado de construção civil e reduzindo as terras disponíveis para a agricultura nas cidades. Evidentemente, a demanda por hortaliças e alimentos em geral também tem crescido. Embora terras disponíveis para plantio seja um recurso cada vez mais escasso, muitas casas têm seus terraços na forma de laje de concreto, oferecendo espaço para o cultivo de hortaliças. As plantas podem ser cultivadas durante todo o ano, apesar das condições climáticas semidesérticas. O programa de hortas em terraço da Igreja Metodista Unida promove a agricultura em terraços no Senegal. Grupos de mulheres já estão cultivando alimentos em seus terraços em Dacar e em Thies, em um programa que já treinou mais de 100 famílias e se prepara para treinar muitas mais, conforme chegam os pedidos de treinamento.


Horticultura terraços em São Petersburgo (PDF)
No início da década de 90 do século passado foi percebido que havia uma oportunidade a ser explorada plantando-se hortas nos terraços dos prédios de apartamentos e de instituições das cidades russas, onde ter acesso às terras das dachas na periferia da cidade torna-se cada vez mais difícil.


Agricultura urbana: a alternativa natural - experiência na Índia (PDF)
Depois de trabalhar em seus plantios em Kamshet, perto de Puna, o autor descobriu os imensos problemas enfrentados pelos agricultores. Ele percebeu que, se os agricultores incluíssem o custo de seu trabalho no cálculo do lucro de seus cultivos, todos seriam deficitários. Isso o levou a pensar muito seriamente sobre a redução dos custos dos plantios e da mão-de-obra. O Dr. Doshi testou uma variedade de práticas agrícolas que permitem aos moradores urbanos cultivarem sua própria comida em cada cm2 de área urbana disponível, incluindo terraços e balcões. Nenhuma das inovações recomendadas envolve custos altos, nem exige muitas horas de trabalho. O plantio pode fornecer à família uma nutrição variada, baseada em uma grande diversidade de plantas, eliminando a necessidade de comprar hortaliças e frutas nos mercados, onde a inflação costuma zombar dos orçamentos das famílias.


Cultivo de cogumelos na cidade de Kampala, Uganda (PDF)
A agricultura urbana em Uganda é vista principalmente como uma estratégia de sobrevivência das famílias, em um contexto de pobreza crescente. O cultivo de cogumelos é uma tendência recente em Kampala. Este texto explora os motivos para o cultivo de cogumelos, focaliza as questões de gênero envolvidas (já que muito mais mulheres do que homens se dedicam a essa atividade), e as condições necessárias para o seu sucesso.


Microtecnologias para centros urbanos congestionados na Etiópia(PDF)
Os indicadores sobre a urbanização e o congestionamento crescentes na cidade de Adis Abeba incluem: taxa de desemprego acima de 40%; uma produção diária de lixo orgânico acima de 2.000 toneladas; uma imensa quantidade de esterco animal produzida diariamente por mais de 60.000 vacas e pelas inúmeras ovelhas e cabras criadas por mais da metade da população urbana; renda per capita diária inferior a US$ 1,00; ingestão per capita de nutrientes inferior a 10 gramas por dia; e espaço viável para plantio inferior a 25 m2 por família. A agricultura urbana pode desempenhar um papel importante em cidades que não param de crescer. Este artigo descreve as experiências de Yilma Getachew, uma consultora especializada em promover a agricultura urbana em Adis Abeba e noutras cidades etíopes. Yilma já identificou 30 tecnologias para produção de fertilizantes, controle de pestes e doenças, e manejo da água. Todas elas são baseadas em processos naturais e são portanto baratas, simples e dependem apenas de recursos disponíveis localmente.


Tecnologias inovadoras de agricultura urbana no Botsuana (PDF)
A agricultura não é muito difundida nas áreas urbanas e periurbanas do Botsuana. Algumas famílias pobres plantam para aumentar sua renda, e alguns empresários escolheram a produção urbana e periurbana de alimentos como o seu empreendimento comercial. Na capital, Gaborone, muitos agricultores comerciais e de subsistência estão situados em áreas livres, municipais ou tribais, localizadas ao norte e ao sul da cidade. Os plantios são operados como empreendimentos privados ou como projetos de instituições acadêmicas e científicas. Tecnologias agrícolas inovadoras estão sendo usadas em muitas áreas urbanas, para enfrentar as questões ligadas à pobreza e à segurança alimentar no nível das famílias. Os agricultores dependem dos meios convencionais, nem sempre os mais apropriados. O artigo descreve algumas das novas tecnologias que estão sendo testadas e divulgadas.


Permacultura no Senegal (PDF)
Em junho de 2002, foi iniciada a primeira horta baseada em práticas de permacultura no Senegal. Essa horta tem por objetivo promover a permacultura junto aos agricultores e aos formuladores de decisões dos setores público e privado, ao demonstrar sua viabilidade e eficiência.


Hortas móveis no Quênia (PDF)
Nas áreas residenciais altamente povoadas do Quênia, onde as áreas agriculturáveis são muito escassas, a produção de hortaliças pode ser feita em hortas mínimas, até mesmo dentro de sacos.


A "horta das colheitas abundantes" (PDF)
O objetivo da ONG “Hunger Grow Away” é eliminar a fome, e o modo de ele ser atingido é apoiando cada família a atender suas próprias necessidades. Para chegar a isso, o programa “Horta das colheitas abundantes” (Abundant Harvest Garden – AHG) foi desenvolvido, para difundir um sistema de produção de alimentos que pode atender as necessidades alimentares de uma família de quatro pessoas cultivando-se apenas 1,44m2, e usando apenas 20% da água que seria usada em uma horta convencional do mesmo tamanho. O método AHG pode tornar o cultivo de uma horta familiar acessível até mesmo aos mais pobres, e o consumo de hortaliças frescas pode tornar-se parte de sua alimentação diária. O AHG pode ser praticado mesmo nos locais mais confinados e difíceis, incluindo pátios pavimentados e terraços. A “Hunger Grow Away” é uma organização sem fins lucrativos que divulga esses sistemas hortícolas junto aos pobres e os ajuda a levantar os recursos necessários para implantar o método AHG.


O projeto "Aqua-Terra Gardens" (PDF)
Aqua-Terra Gardens é uma empresa localizada no coração dos Estados Unidos, onde Frank McNeely, seu proprietário e operador, converteu um antigo moinho de cereais perto do centro da cidade em um complexo agrícola urbano. Seu objetivo é estabelecer instalações que permitam a prática da agricultura urbana sustentável, o uso de energias renováveis, e a educação do público com respeito a esses temas.


Minhocas transformam lixo em "ouro", em Lismore (PDF)
Para os planejadores, as minhocas serão um tema prioritário neste século XXI - e definitivamente já o são em Lismore, Austrália. Lá, a busca de inovações em desenvolvimento ecologicamente sustentável resultou na instalação da fazenda de criação de minhocas mais moderna e completamente automatizada do mundo, onde 10 milhões de minhocas transformam 6.000 toneladas de lixo por ano em “ouro” marrom: húmus. Graças à sinergia criada pela parceria entre o Conselho Municipal de Minimização do Lixo de Lismore (Lismore City Council Waste Minimisation Department) e a empresa Tryton Waste Services, a contaminação do ambiente pelo lixo orgânico produzido na cidade está sendo gradativamente eliminada.


Organoponia - o uso da urina humana na compostagem (PDF)
As experiências usando urina humana fermentada para a produção de hortaliças e plantas medicinais e aromáticas em contenedores vêm sendo testadas há mais de dez anos pelo Centro de Pesquisas e Treinamentos Rurais (CEDICAR) do México. Esse sistema de cultivo tem sido chamado de "organoponia" ou "urinoponia". É um sistema efetivo quanto a custos, que economiza dinheiro e água, é capaz de produzir quantidades significativas, anualmente, de legumes por m2, e tem sido bem aceito pelas famílias usuárias e pelas instituições com interesse nos assuntos ligados à segurança alimentar.


Compostagem em contenedores na periferia de Kumasi, Gana (PDF)
O uso de contenedores para a produção de composto permite que a reciclagem segura e higiênica dos resíduos orgânicos domésticos seja feita nos quintais urbanos e periurbanos. Além de produzir adubo de alta qualidade para a agricultura urbana e periurbana, a compostagem doméstica reduz a quantidade de lixo orgânico, produzido nas casas, restaurantes etc. das cidades, destinado aos lixões e aos aterros sanitários municipais, contribuindo assim para um meio ambiente mais limpo e reduzindo os custos com o seu recolhimento e transporte - onde há serviço de coleta de lixo (GFA-Umwelt, 1999). Os contenedores podem ser feitos de materiais reciclados, como pneus, tijolos, blocos de concreto, madeira, barris de plástico ou tambores de 250 litros, o que torna essa tecnologia acessível mesmo para os grupos de menor renda. Quando essa tecnologia é implementada de modo adequado, ela pode não só colaborar para um ambiente mais saudável mas também para uma qualidade de vida mais elevada.


A aplicação de lodo de esgoto na agricultura em Tamale, Gana (PDF)
O uso de dejetos humanos como fertilizante nos países em desenvolvimento em geral, e particularmente em Gana, não tem recebido muito reconhecimento (Laryea, 1998). Devido à baixa fertilidade do solo e à falta de recursos financeiros para comprar fertilizantes químicos, os agricultores das áreas mais áridas de Gana recorrem freqüentemente ao uso de dejetos humanos, ou lodo de esgoto, para plantar seus cultivos. Na década de 90 do século passado, Owusu-Bennoah e Visker (1994) reportaram que 90% do esgoto coletado em Tamale era usado como fertilizante. Esse artigo descreve a engenhosidade dos pequenos produtores para usarem o lodo de esgoto para a produção de safras na municipalidade de Tamale.


Conversão de lixo urbano em energia por digestão anaeróbia (PDF)
A digestão anaeróbia é um processo natural utilizado pela humanidade para tratar dejetos orgânicos presentes no lodo de esgoto, em efluentes industriais e nas águas servidas. A digestão anaeróbia dos dejetos de animais e do lixo orgânico ainda está em fase de desenvolvimento e ainda não se tornou comercialmente disponível. Esse artigo descreve os tipos de biodigestores anaeróbios e mostra como reduzir a degradação ambiental causada pelos resíduos gerados nas cidades e no campo.


Piscicultura alimentada com resíduos na periferia de Kolkata, Índia(PDF)
Na Índia, a reutilização das fezes humanas e das águas servidas na agricultura é uma prática tradicional adotada há séculos. O estado de Bengala Ocidental é pioneiro na utilização sistemática das águas servidas municipais para fertilizar tanques criatórios de peixes, sendo que na cidade de Kolkata (antiga Calcutá) encontra-se talvez o maior sistema, no mundo, de piscicultura alimentada com dejetos urbanos. Nas áreas periurbanas onde essa prática é utilizada, ela viabiliza a sobrevivência de um grande número de pessoas por meio da reciclagem dos resíduos e do uso racional dos recursos naturais.


Melhorando as empresas agrícolas na Comuna de Duong Lieu, Vietnam(PDF)
A comuna de Duong Lieu, na província de Hay Tay, localiza-se a 20 km de Hanói. A área é tradicionalmente agrícola, mas, desde o final dos anos 60 do século passado, ela tem se especializado em processar, nas residências, o amido presente nas safras de mandioca (Manihot esculenta) e de biri (Canna edulis), estimulada pela proximidade a Hanói e pelo fácil acesso a seus crescentes mercados. Durante essas décadas, sua capacidade de produção e processamento cresceu muitas vezes, entre 3 e 10 vezes conforme os casos. Mandioca e biri são cultivos bem diferentes, considerando-se os seus tipos de raiz, as propriedades de seu amido, e suas diferentes lucratividades. À medida que o processamento do amido se desenvolveu, um conjunto de empresas dedicadas ao seu processamento surgiu, para apoiá-lo ou para se associar a ele.


Tratamento do lixo orgânico doméstico para alimentar porcos em Montevidéu (PDF)
A população do Uruguai está grandemente concentrada nas cidades – fenômeno que vem provocando a proliferação de assentamentos irregulares. Um aumento do desemprego forçou muitas pessoas a recorrerem a estratégias diversas para garantir sua sobrevivência e de suas famílias. A coleta informal e a venda do lixo doméstico é uma dessas estratégias mais difundidas, e está muito associada à criação de porcos nas residências. As autoridades municipais estão relutantes em aceitarem essa atividade por causa dos riscos ambientais e sanitários que ela representa. Entretanto, para formular políticas de agricultura urbana que preservem a saúde da população, é importante examinar criticamente esse fenômeno, considerando tanto os riscos quanto os benefícios, buscando minimizar os primeiros e maximizar os últimos. Baseada nessa realidade, a Escola de Veterinária de Montevidéu (Uruguai) desenvolveu uma série de experimentos com o objetivo de avaliar e comercializar tecnologias para a coleta e processamento do lixo orgânico para utilização na alimentação dos porcos.


Análise dos progressos a médio prazo do RUAF (PDF)
Durante os últimos nove meses, os parceiros do RUAF estiveram ativamente envolvidos na análise e avaliação das atividades desenvolvidas por essa organização, com o apoio de uma equipe de revisores externa. Os principais resultados estão apresentados nesse artigo. O texto completo pode ser acessado no sítio do RUAF: www.ruaf.org


Livros de interesse (PDF)

Sítios web de interesse (PDF)

Eventos de interesse (PDF)

Próximos números (PDF)